Pensamento

Em verdade, dá certo gosto deitar ao papel coisas que querem sair da cabeça, por via da memória ou da reflexão.

Machado de Assis, em Memorial de Aires



Escrito por Patente às 17:02
[] [envie esta mensagem]



CICLO DE PALESTRAS MEMÓRIA & INFORMAÇÃO

O evento discutirá temas na área de memória, documentação, preservação e informação, e conta com a participação de especialistas de diferentes áreas do conhecimento.

Casa de Rui Barbosa - Rua São Clemente, n. 134, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ

Informações:
http://www.ndc.uff.br/portaldereferencia/noticias.asp?cod=382

Escrito por Patente às 20:29
[] [envie esta mensagem]



A bibliotecária dos Sonhos - Fernando Gabeira

A mensagem era um oásis no deserto de spams, mensagens comerciais e declarações políticas. Assinava-a Tiziana, uma bibliotecária de Genebra, e dizia mais ou menos assim:

"Caro senhor:

Se o senhor esteve em Genebra no princípio de novembro de 1997 e veio à biblioteca de francês (Salle Thibaudet) da Faculdade de Letras da Universidade de Genebra para consultar a obra de Matarasso e Petitfils "Álbum Rimbaud", da Pléiade (1967), e se o senhor é autor das palavras de agradecimento anexas, eu sou a bibliotecária que encontrou a obra para o senhor. Trocamos poucas palavras, mas o senhor disse que talvez voltaria. "Talvez, até uma próxima."

Depois disso, tive a ocasião de comprar, numa loja de livros raros, um exemplar da obra acima mencionada - obra não encontrável, como o senhor sabe. Eu a guardei para poder lhe oferecer, caso o senhor voltasse.

A vida decidiu de outra forma. Mudei de posto de trabalho. Talvez o senhor não tenha me encontrado ou não tenha tido a oportunidade de voltar. Saiba que, se tiver oportunidade de voltar a Genebra, terei um grande prazer em lhe entregar a obra."

A mensagem termina com a promessa de Tiziana - uma promessa de enviar pelo correio o bilhete de agradecimento que o freqüentador da biblioteca tinha escrito. No momento, ela estava sem scanner, logo, teria de enviar a fotocópia da forma tradicional.

Assim que terminei de ler a mensagem, compreendi que havia um engano. Talvez tenha estado na Faculdade de Letras num debate em 1997. Mas não me lembro da biblioteca nem do livro de Rimbaud. Desfiz o equívoco e agradeci, mas não podia deixar de manifestar minha admiração pelo gesto. "Se todos os bibliotecários do mundo..."

Já havia tido uma experiência, quando asilado na Suécia. Procurei um livro numa biblioteca de bairro. Não tinham. Era um texto de Sartre sobre Flaubert, um calhamaço editado pela Gallimard, com um preço acima de meus recursos. A bibliotecária disse: "Não se preocupe, vamos comprá-lo e emprestaremos a você".

A diferença nos casos é que, na Suécia, a coisa era fria e profissional. O texto de Sartre ou um manual de jardinagem teriam o mesmo tratamento. Neste caso de agora, há um envolvimento emocional, uma espécie de relação pessoal com o texto, uma compreensão da raridade do livro.

Estou consciente de que essas coisas acontecem apenas em países onde se investe mais dinheiro para oferecer livros ao público. No entanto, não é essa a questão. O exemplo de Tiziana me comoveu porque reforçou uma das crenças que nunca me abandonaram, apesar de tantas revisões intelectuais. É a da superioridade de se fazer o que se gosta, de se apaixonar pelo trabalho.

Houve um momento em que duvidei disto. Foi, talvez, no meio da década de 70, quando Herbert Marcuse falava de um outro tipo de trabalhador, que despendia apenas a energia necessária para ganhar a vida, que não se envolvia emocionalmente com o sistema. Era exatamente como vivia, fazendo trabalho temporário aqui e ali. Mesmo nesse momento, no entanto, o distanciamento emocional do trabalho, o consumo mínimo de energia existiam para liberar tempo e disposição para fazer o que se gostava realmente.

Não tenho talento, ou melhor, conhecimentos suficientes, para texto de auto-ajuda. O pouco que sei também não é válido para todos. Com a volta ao Brasil, incorporei uma nova dimensão a esse respeito pelo amor ao que se faz. É a dimensão pedagógica.

Volta e meia, a gente se vê discutindo sobre adolescentes que têm baixo rendimento escolar, mas são apaixonados por outra coisa - esporte, por exemplo. E sempre digo: se gosta muito de alguma atividade, acabará aprendendo nela os mistérios do mundo e da existência. Não há tanto com que se preocupar.

Por isso, se procurasse um livro inexistente na biblioteca de Tiziana, imagino sua preocupação em tentar encontrá-lo em algum canto do mundo. Mas diria o mesmo que o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade escreveu no poema "Hotel Toffolo", um mitológico lugar de Ouro Preto:

"E vieram dizer-nos que não havia jantar.
Como se não houvesse outras fomes
e outros alimentos.
Como se a cidade não servisse o seu pão
de nuvens".

Certamente, com essa mensagem pela internet, você me ensinou mais do que aprenderia no "Álbum Rimbaud". Um beijo, Tiziana.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo, Ilustrada, p. E8, 23 de abril de 2005


Escrito por Patente às 20:48
[] [envie esta mensagem]



Inusitado

O frio chegou a Belo Horizonte, as montanhas das Minas Gerais, estão encobertas pelas nuvens que fez com que os moradores se agasalhassem. Mas, no meio do frio e o tempo nublado, aparece um colibri, bem pequeno mesmo, e nos fios da rede elétrica. Pousado, bate as asas, que só ele consegue bater nesta rapidez atento a procura de uma flor.

Escrito por Patente às 18:26
[] [envie esta mensagem]



Ex-Libris

O ex-libris, em sua essência e conceito original, é a indicação de posse que o proprietário de um livro coloca no verso de sua capa. "Ex-libris" é uma expressão latina composta da preposição ex que significa "origem, de...". É, portanto, "vindo de, proveniente de". Etimologicamente significa "dos livros de..., proveniente dos livros de..., e por conseqüência, ampliando, "da biblioteca de..." e que se completa com nome do proprietário.Esta fórmula, puramente expressiva, se modificou acompanhada com representações mais ou menos artísticas, vindo a constituir o que se entende propriamente por ex libris a saber: uma representação gráfica, distinta, alegórica, às vezes simbólica, que se combina as palavras ex-libris com o nome do proprietário do livro. Para cumprir seu objetivo, o ex-libris deve ter o nome do dono do livro, já que um simples monograma não basta. O desenho ou a gravura não bastam. Eles devem ter alguma relação com a personalidade do proprietário, com sua profissão, sua filosofia de vida ou com a composição de sua biblioteca.Quando o proprietário evidencia seu gosto ou interesse em conservar um livro, inserindo em sua encadernação a justificativa de sua posse. A etiquetas sinaliza suas idéias, aproveitando o escasso espaço, de alguns centímetros quadrados para que um artista simbolize suas aspirações, a fé religiosa, a vaidade mobiliárquica, a predileção científica ou suas convicções filosóficas. É imensa a variedade de motivos e assuntos contidas em um ex-libris. Sem desdenhar o aspecto artístico, deve atender a sua significação psicológica. Ao criá-lo, o bibliófilo deve meditar em sua significação, respondendo a um pensamento profundo, ou gozador, mas pessoal e próprio. Trazendo impressas figuras, nomes, brasões e algumas vezes sinais de propriedade, transformam-se em marcas de sensibilidade, de concepção de vida, de gosto artístico e cultural, de amor aos livros. Se tirarmos estas características, ele será um impresso frio e inexpressivo.

O site http://www.calendario.cnt.br/EXLIBRIS.htm possui mais informações sobre o assunto e levanta a questão se o termo deve ser hifenizado.




Escrito por Patente às 14:37
[] [envie esta mensagem]



Do amoroso esquecimento



Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?


Mario Quintana - Espelho Mágico

Sobre o autor:
http://www.ccmq.rs.gov.br/novo/mario/mario.php

Escrito por Patente às 19:21
[] [envie esta mensagem]



Ex-libris de Beethoven



Toda vez que o jovem Beethoven estudava violino, uma pequena aranha descia de sua teia e parava em cima de uma mesa, onde ficava escutando-o tocar. Ele se encantava com a presença do inseto, até que um dia, sua mãe ao ver a aranha se assustou e esmagou-a. O jovem Bethoven ficou tão desolado, que parou de tocar violino.

Ele possui uma enorme coleção de ex-libris em sua homenagem.

No site:

http://www.lvbeethoven.com/Portraits/GalleryExLibris.html



Escrito por Patente às 19:39
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura, Música


Histórico
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
05/02/2006 a 11/02/2006
29/01/2006 a 04/02/2006
22/01/2006 a 28/01/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
18/12/2005 a 24/12/2005
27/11/2005 a 03/12/2005
20/11/2005 a 26/11/2005
13/11/2005 a 19/11/2005
06/11/2005 a 12/11/2005
30/10/2005 a 05/11/2005
23/10/2005 a 29/10/2005
16/10/2005 a 22/10/2005
09/10/2005 a 15/10/2005
02/10/2005 a 08/10/2005
25/09/2005 a 01/10/2005
18/09/2005 a 24/09/2005
11/09/2005 a 17/09/2005
04/09/2005 a 10/09/2005
28/08/2005 a 03/09/2005
21/08/2005 a 27/08/2005
14/08/2005 a 20/08/2005
07/08/2005 a 13/08/2005
31/07/2005 a 06/08/2005
24/07/2005 a 30/07/2005
17/07/2005 a 23/07/2005
10/07/2005 a 16/07/2005
03/07/2005 a 09/07/2005
26/06/2005 a 02/07/2005
19/06/2005 a 25/06/2005
12/06/2005 a 18/06/2005
05/06/2005 a 11/06/2005
29/05/2005 a 04/06/2005
22/05/2005 a 28/05/2005
15/05/2005 a 21/05/2005
08/05/2005 a 14/05/2005
01/05/2005 a 07/05/2005
24/04/2005 a 30/04/2005
17/04/2005 a 23/04/2005
10/04/2005 a 16/04/2005
03/04/2005 a 09/04/2005
27/03/2005 a 02/04/2005
20/03/2005 a 26/03/2005
13/03/2005 a 19/03/2005
20/02/2005 a 26/02/2005
06/02/2005 a 12/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
26/12/2004 a 01/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
10/10/2004 a 16/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
25/07/2004 a 31/07/2004
18/07/2004 a 24/07/2004
11/07/2004 a 17/07/2004
04/07/2004 a 10/07/2004
27/06/2004 a 03/07/2004
20/06/2004 a 26/06/2004
13/06/2004 a 19/06/2004


Categorias
Todas as mensagens
Link
Citação


Outros sites
Biblioteca Nacional
BiblioAcid
FigoBlog
Mad Tea Party
73 Obsessões
Aqui em D.C.
Cora Ronai
Tudo sobre GED
10 Paezinhos
Patente Mail
Blog de Papel
Blonicas
BOL - E-mail grátis
Bloglist
Blogologo
Blog do Primo
Blog do Tas
Sempre uma Traca
Focando
Opine
Gmail
Bibliodesign
Almanaque do Design
Bibliotecários sem Fronteiras
Extra Libris
Digital Library
Blog of Libraries
Ciência da Informação
Data Grama Zero
Informação e Sociedade
Achados e Perdidos