Um dia sem mexicanos

A Califórnia está em estado de choque: numa noite desaparecem 14 milhões de pessoas. Todas de origem hispânica. O vazamento de uma torneira pode ser o início de tudo. Após comunicar seu chefe sobre o problema, a babá hispânica tenta contornar a situação com um copo. Quando a água do recipiente transborda, misteriosas coisas começam a acontecer. Uma neblina rosa se instala sob a Califórnia e o Estado norte-americano fica incomunicável com o resto do mundo.
Como se não bastasse, todos os hispânicos desaparecem. Permanecer Um Dia sem Mexicanos pode falir o Estado. A economia começa a desmoronar, escolas fecham e a produção entra em colapso. Cientistas tentam buscar explicações e algumas teorias passam a fazer parte do imaginário das pessoas: abdução alienígena, terrorismo ou o fim do mundo? Enquanto especulações são feitas, a chave para desvendar o mistério pode estar em Lilá Rodriguez, a única hispânica que não desapareceu.
O filme marca a estréia de Sergio Arau como diretor de longas. A produção é baseada em um curta-metragem de mesmos nome e cineasta. O elenco conta com Caroline Aaron, Tony Abatemarco e Melinda Allen. O longa foi vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Cinema Mexicano e Ibero-Americano de Guadalajara, em 2004.
Site: http://www.undiasinmexicanos.com/

Escrito por Patente às 19:32
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Museu da Casa Brasileira
Um espaço dedicado a alojar o trabalho de classificação, catalogação, exposição, conservação e restauração de móveis e objetos, considerados de valor histórico e artístico para o país, motiva a criação, em maio de 1970, do então denominado Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro. O nome já alguns meses depois de designado parece insuficiente para abranger todo o propósito inicial e é alterado para Museu da Cultura Paulista - Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro. A preocupação que permeia o extenso nome sugerido é a de ampliar o campo de atuação, com o objetivo de ser, mais do que um museu comum, uma espécie de centro de estudos que se responsabiliza por uma complexa gama de investigações em torno da evolução da cultura brasileira. Idealizado pelo então secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Luís Arroba Martins, no governo de Roberto de Abreu Sodré, o Museu ganha sede provisória em um antigo sobrado da Alameda Nothmann, no centro da capital paulistana. Em 1971, passa a se chamar Museu da Casa Brasileira. A simplificação do nome não altera o objetivo de formação de um centro de pesquisas sobre os equipamentos, usos e costumes da casa brasileira, com exposição permanente de seu acervo. Em 1972, a instituição muda-se para o solar Fábio Prado, na avenida Faria Lima, antiga residência do prefeito Fábio Prado e de sua esposa Renata Crespi. O edifício fora doado à Fundação Padre Anchieta e cedido em comodato por esta à Secretaria de Estado da Cultura. A comissão formada para a tarefa de compor o patrimônio do Museu na época conta com intelectuais como Sérgio Buarque de Hollanda, Carlos Lemos e Antonio Cândido de Mello e Souza, entre outros, liderados pelo historiador Ernani Silva Bruno, que, por nove anos consecutivos, dirige a instituição. Eles se encarregam de selecionar tudo aquilo que tivesse valor sociológico, histórico ou artístico ligado à cultura brasileira, particularmente a paulista, para a constituição do acervo. Durante os cinco primeiros anos de vida, o maior trabalho de constituição do Museu concentra-se na busca de peças que compusessem o cenário da casa brasileira. Nesse mesmo período tem início, sob a coordenação de Ernani Silva Bruno, a compilação de fichas sobre equipamentos, usos e costumes nas habitações brasileiras. Esse material soma um inventário com 28 mil referências, compreendendo dos séculos XVI ao XIX. A natural evolução do Museu como um espaço dedicado ao mobiliário e às criações em seu entorno justifica o nascimento do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, que se torna a mais conceituada premiação de design de produtos no país. Outro dado relevante da consolidação do Museu se dá em 1992, com o surgimento da Sociedade de Amigos do Museu da Casa Brasileira, constituída por um grupo de voluntários que trabalha para a obtenção de recursos visando o desenvolvimento das atividades culturais da instituição.
Fonte: Museu da Casa Brasileira
Escrito por Patente às 12:56
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O Livro - Objeto do Desejo
| Foto: Bergoglio |
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É no prazer quase sensual em deslizar os dedos sobre a tinta fundida ao papel. É na leitura imersiva que transporta a outras realidades e adormece funções corporais como a audição. É na organização impecável de bibliotecas e exposição orgulhosa de volumes raros. Ou ainda em hábitos esdrúxulos – como aprovar o cheiro das folhas – que se identifica um apaixonado por livros. Esses leitores fetichistas estimulam editoras e livreiros a investir em publicações sobre a história da literatura ou reunião de contos em que o protagonista é o próprio livro. E instituem um mercado cada vez mais fornido de livros sobre livros.
O interesse sobre a história do livro se tornou evidente em congressos temáticos na década de 80. Somados à multiplicações dos cursos de produção editorial e ao interesse dos próprios leitores começamos a desenvolver as coleções – conta o editor Plínio Martins Filho, da Ateliê Editorial. Almejantes a bibliófilos podem começar pelos volumes históricos como Aldo Manuzio – Editor. Tipógrafo. Livreiro, de Enric Sauté (Ateliê), que narra a saga do inventivo livreiro, autor de uma série de inovações na produção de impressos no século 16. Entre os méritos de Manuzio estão a criação dos livros ilustrados, da página dupla como unidade formal, da lombada quadrada e do formato de bolso, que alavancou a difusão das obras. Também da Ateliê, o volume Philobiblon, de Richard de Bury, é um tratado escrito no século 13, e define o livro como “o alimento sagrado da inteligência” que “ encantas com tua harmonia as almas daqueles que enfraquecem”. A Casa da Palavra tem como um dos principais objetivos, justamente, alimentar glutões de letras. O bibliófilo aprendiz (já em segunda tiragem) foi o primeiro livro desse nicho lançado pela editora. Outros títulos como Bibliomania, de Gustave Flaubert, A palavra impressa, de Cyana Leahy e A paixão pelos livros, uma coletânea de contos e crônicas de quem achou no livro seu paraíso particular, também estão no catálogo. As obras sobre livros são feitas com um cuidado redobrado, dado o encantamento que o objeto exerce sobre o leitor. Além de um bom texto, o bibliófilo valoriza a capa, o papel, o miolo, a tipografia, todos os mínimos detalhes. Sem falar na revisão, que tem de ser impecável – afirma a editora da Casa da palavra, Martha Ribas. O mais recente lançamento da editora é a coletânea de contos Dentro de um livro . Nela, autores consagrados como Lygia Fagundes Telles e Luis Fernando Veríssimo se unem a iniciantes como Cecília Giannetti e Cardoso, e publicam contos em que o personagem principal é o livro. Há quem sofra pelo o que “os livros têm a dizer mudos, encerrados em sua estupidez de objeto”, como Paulo Roberto Pires. E quem narre o primeiro contato com os impressos, ao acariciar as páginas salpicadas de palavras negras e constatar “que está crucificado a roubar livros e amar palavras”, como Raimundo Carrero. Da necessidade de nomear sentimentos e trazer à realidade angústias e anseios, naturalizam-se centenas de leitores compulsivos. Pessoas como o escritor Alberto Manguel, autor de Uma história da leitura e Lendo imagens, ambos da Companhia das Letras. O recém-lançado Os livros e os dias é um misto de diário pessoal e crítica literária. Manguel relê 12 livros de gêneros variados, ao mesmo tempo em que os relaciona a fatos de seu cotidiano. Durante a leitura de A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, por exemplo, o escritor chega a dormir uma noite em sua nova biblioteca, para “tornar o espaço verdadeiramente seu”, como um cão que marca os postes. Aos que mantém uma relação íntima com as obras, a Livraria da Travessa guarda uma seção específica sobre filosofia e história dos livros. Há ainda obras sobre administração de livrarias e manuais com técnicas reparatórias para volumes maltratados. As bancadas não têm tempo de acumular poeira, de acordo com o livreiro Rui Campos:
– Não sei se é um público específico, mas são pessoas que têm uma relação de intimidade e amor com o livro. Tenho fregueses que passam horas observando as páginas e cheirando o papel. E confesso que também fui contaminado pela mania. Aos bibliófilos experientes, algumas novidades no prelo acalmam possíveis crises de abstinência. O Livro, de Diderot, sairá pela Ateliê Editorial e Entre aspas, de Carlo Carrenho, pela Casa da Palavra. Enquanto eles não chegam, Fernando Bonassi solidifica a filosofia dos aficionados que mergulham dentro de livros: Todo homem é um livro aberto. Todo livro acha que é certo. Escreveu não leu continua sendo livro. Já no início era o verbo! Larga a mão de ser burro e leia".
Fonte: Jornal do Brasil, 18/06 - O protagonista é o livro, por Vivian Rangel
Escrito por Patente às 19:56
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